A SOCIEDADE CRIA O SEU JESUS

As classes sociais idealizam o seu “Jesus” da maneira que lhes convém, para cada grupo um Jesus diferente. O Jesus do povo tem diversas faces, e cada face é usada em uma determinada questão social. Há o Jesus filosófico, o socialista, o de direita, o empreendedor, o coach, o humanista, o tolerante, o que é vítima da sociedade e oprimido pelas forças do estado, o filho do operário, o sem-terra, o pobrezinho que passou necessidade, o que pede esmola, o que sofre racismo, o que aprova as diversas formas de amar, o que não se importa com os escárnios em relação a sua pessoa e divindade tendo bom humor pra aceitar as “brincadeiras”, o que defende e entende os pecados, o carnavalesco homenageado na Sapucaí.

A sociedade monta o seu Jesus como um consumidor que chega a um restaurante self service montando o seu prato somente com alimentos que são agradáveis ao seu paladar. De Jesus as pessoas só querem aquilo que lhes interessa.

Karl Marx está ficando de lado, afinal em um país de origem católica com um crescimento acelerado da comunidade evangélica, usar o Jesus que alimentou a multidão e zelou pelos pobres como bandeira na causa socialista é mais atrativo do que permanecer com o ateu.

Há também o Jesus ativista gay que defende toda forma de amor. Tem o Jesus das facções criminosas, que não quer terreiro de candomblé e umbanda na comunidade. Tem o Jesus dos famosos, que não se importa com a permanência no pecado dos que o aceitam, ele entende que o pessoal não pode deixar a fama e procurar um trabalho comum.

O Jesus do carnaval fez o que não fez em Israel há pouco mais de dois mil anos atrás, fez política combatendo a tirania do “César”. Foi chamado de “moleque pelintra”, foi a mulher negra, e tudo isso aos olhos emocionados de um jovem pastor que contribuiu com todos os detalhes do enredo.

Nas igrejas pregadores criaram um Jesus descaracterizado daquele que morreu na cruz, sempre pronto a atender as necessidades das ovelhas. O Jesus delivery que leva a benção até a sua casa de maneira rápida e cômoda. O Jesus coach que sempre exalta o seu potencial anulando a graça. O Jesus que faz a obra, como se a transformação de vida dependesse somente da sua vontade sem a iniciativa do homem em renunciar o pecado.

A sociedade busca um Jesus que atenda os seus padrões de vida, eles não querem adaptar suas vidas ao Jesus da cruz, criar um Jesus editando o Jesus da cruz se torna menos trabalhoso com resultados imediatos.

Enquanto isso a volta do Jesus da cruz está cada vez mais próxima.

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